terça-feira, 17 de maio de 2016

DIARREIAS EM CÃES E GATOS

A diarreia em pequenos animais pode ocor pela ingestão de substâncias osmoticamente ativas ou seja que atraem líquidos do meio intersticial para o lúmen intestinal por deficiência na absorção das substâncias e pela secreção de substâncias através da mucosa ou pela inadequada motilidade intestinal. 
A diarreia é inespecífica podendo ocorrer infecções bacterianas, micóticas, parasitoses, viroses, ingestão de drogas (efeitos colaterais) intoxicações, efeitos de intolerância alimentar ou doenças endócrinas.
A diarreia pode ser aguda ou crônica, a diferença está no seu tempo de duração e severidade. 
A diarreia aguda pode ser provocada pela ingestão de agentes tóxicos e por parasitos durando cerca de 1 a três semanas e geralmente sendo autolimitante sem deixar sequelas.
A diarreia aguda geralmente consegue ser tratada sintomaticamente com restrições na dietas fluidoterapia e antimicrobianos.

Diarreia de Intestino Delgado

O animal apresenta baixa frequência de defecação, porém em grandes volumes e mais aquosa. Nesse tipo de diarreia pode haver melena (sangue digerido) e esteatorreia (gordura nas fezes) na maioria dos casos ocorre uma perda de peso, isso está atribuído pela não absorção dos nutrientes por essa porção do intestino, uma vez que o intestino delgado é ao local de degradação dos aminoácidos, pela mistura aos ácidos biliares a gordura e sua absorção. Qualquer distúrbio do trato gastrintestinal pode levar o animal a apresentar vômitos. Pode ainda ter borborignos e flatulência .

Diarreia de Intestino Grosso

O animal evacua várias vezes em volumes menores de fezes. pode haver tenesmo, disquezia (dor), hematoquezia (presença de sangue vivo nas fezes). As fezes pode apresentar-se coberta por mucosas e exsudatos.

Classificação:

Diarreia osmótica

Absorção prejudicada e que acumula solutos não absorvidos no lúmen intestinal. Esses solutos são osmoticamente ativos e retêm água causando distensão sendo expelida em forma de diarreias liquidas e volumosas. Hidratos de carbono pouco absorvíveis e laxativos são exemplos de substâncias osmoticamente ativas. Clinicamente a diarreia osmótica é mais frequente por causa da da insuficiência pancreática exócrina ou distúrbios inflamatórios difusos, neoplasias e perda das vilosidades que não permite a absorção. 

Diarreia secretória

Ocorre desequilíbrio dos processos normais de transporte de líquidos intestinais dependente da permeabilidade da mucosa. Nesse caso é observado um problema na aborção de água e íons pelos enterócitos e secreção ativa de íons e água para o lúmen intestinal. Geralmente ocorre por vírus e bactérias que produzem exotoxinas ou lipopolissacarídeos que alteram a funcionalidade da bomba de NaCl-ATPase. 

Diarreia por Permeabilidade - Exudativa

 Esse tipo de diarreia ocorre quando ha uma aumento na permeabilidade da mucosa intestinal causada por algum tipo de lesão que permite a passagem e o extravasamento de líquidos, proteínas plasmáticas, sangue, muco de locais de inflamações, ulceração. Qualquer fator que altere a dinâmica dos líquidos intersticiais da mucosa e alterar a pressão hidrostática tecidual pode provocar a diarreia exudativa. 
Esse tipo de diarreia pode ocorrer por uma pressão elevada portal, obstrução de  ductos linfáticos, pressão oncótica diminuída e expansão do volume extracelular.

Diarreia causada por Motilidade desordenada

Pode ocorrer por peristaltismo reduzido que provoca estase e crescimento bacteriano intenso no Intestino delgado. Hipermotilidade acelera o transido a tal grau que o tempo de contato do bolo fecal com a mucosa é insuficiente para ocorrer a absorção e digestão dos compostos, levando uma diarreia, que deve ser diferenciada da diarreia osmótica, são semelhante entre si, a unica diferença está no aumento da motilidade intestinal.
O esvaziamento prematuro do cólon associado a inflamação e irritação. Afetada por cirurgias  abdominais, hormônios SNA enterotoxinas.









FISIOPATOLOGIA DO VÔMITO

"O vômito é um processo ativo, que envolve uma contração vigorosa e coordenada dos músculos abdominais, torácicos e diafragmático, resultando na ejeção forçada de alimento digerido ou não pela boca".

Para que tudo isso ocorra é necessário que haja um estímulo nervoso de ato reflexo do vômito. Este possui um Zona quimiorreceptora do vômito (ZQM) localizada na medula oblonga na área postrema.
Os neurônios envolvidos no ato do vômito podem ser estimulados de forma direta ou indireta.
A forma direta ocorre diretamente na zona quimiorreceptora quando o aumento da pressão do líquido cefalorraquidiano aumenta, hidrocefalias, edemas de encéfalo por traumas, inflamações etc.
A forma indireta é através de toxinas que provocam uma despolarização das membranas nervosas disparadoras do vômito.  Essas toxinas podem ser representadas por toxinas bactérias, produtos nitrogenados, e além de toxinas as dores intensas e estresse pode ativar a ZQM e disparar o mecanismo do vômito.

O centro do vômito fica próximo a área postrema da medula espinhal e age como uma via comum no processamento de diferentes estímulos aferentes promovendo o vômito.

Existem alguns receptores que são estimuladas por substâncias emetogênicas (íons de cálcio, morfina, ureia e digoxina), como exemplo temos  os receptores do tipo 2 dopamina (D2) e receptores do tipo 5-HT3, neuroquinina, colecistoquinina entre outros.

A área postrema onde está localizada a ZQM pode ser ativada por estímulos do nervo vago e do aparelho vestibular.

As maneiras de desencadear o vômito pode ocorrer em pontos básicos. Temos como exemplo  os receptores para  o 5-HT3 que é uma substância produzida nas células enterocromafins da mucosa do trato gastrintestinal, essa substância é liberada quando ocorre algum estímulo, esse estímulo pode ser o mais diversos possível como traumas, obstruções, torções gástricas, infecções, inflamações etc. 
Os receptores 5-HT3 presentes no nervo vago são sensibilizados através dessa substância presente nas células enterocromafins e desencadeia o reflexo do vômito por estímulo aos aferentes vagais.

O mecanismo de ação central da náusea e do vômito pode ser a ansiedade, estresse, dor, luto, hiponatremia, hipertensão intracraniana que atuam no córtex cerebral via GABA e 5-HT3.
Os movimentos também atuam no reflexo do vômito através dos núcleos  vestibulares e liberação de ACTH-m (acetilcolina) e H1 (histamina) que sensibilizam os aferentes da zona quimiorreceptora.
A uremia, drogas, hipercalcemia atua diretamente na ZQM por sensibilizar os receptores dopamina (D2) e 5-HT3.
As obstruções intestinais, lesões, expansão, compressão extrínseca e drogas atuam em receptores intestinais 5-HT3 e nervos aferentes e simpático promovendo o vômito.