quarta-feira, 18 de maio de 2016

PARES DE NERVOS CRANIANOS - EXAMES

Os princípios do exame neurológico:

1. Confirmar a doença neurológica;
2. Localizar o sítio da lesão;
3. Determinar a extensão da lesão;
4. Emitir um prognóstico e possível intervenção terapêutica;



Considerações gerais:

Deve-se iniciar o exame geral do animal seguido então de um exame específico. Alguns pontos gerais devem ser levados em consideração. Temos como exemplo, o estado do consciência do animal, postura da sua cabeça, se apresenta tremores, coordenação dos movimentos ao entrar no consultório a postura desse animal. Realizar alguns testes de atitude de reação postural na tentativa de melhorar a possibilidade do diagnóstico presuntivo.

Teste de Reação postural:

Teste de propriocepção: Esse teste pode ser feito virando a pata do animal de forma que o membro deste fique apoiado no chão por sua face dorsal. Um animal que apresente alguma alteração proprioceptiva não reagirá colocando essa pata na sua posição palmar normal.

Teste de Hemissalto: Levante o membro anterior e um posterior de um dos lados desse animal e faça ele saltar com os outro dois membros restantes. um animal saudável não terá problemas em realizar esse movimento.

Teste do carrinho de mão: Segure os dois membros anteriores levantado do chão e promova movimento a fim de fazer o animal andar somente com as patas traseiras. Posteriormente realize esse movimento com os dois membros traseiros levantado do chão de modo a fazer o animal andar apoiado com as duas patas dianteiras.
 Em ambos os casos é avaliado a capacidade do animal em coordenar normalmente esses movimentos.

Exames dos pares de nervos cranianos

I par Olfatório:  Já pode ser avaliado desde a entrada do animal no consultório em que, o mesmo entra farejando todo o local, se não estiver com muito medo, é um habito normal de cães, principalmente, mas há outros testes. Venda-se o animal e estimule o olfato com algum alimento apetitoso e verifica a reação em farejar ou não esse alimento. Pode usar alguma substância irritante, como o álcool e verificar se o animal repulsa do cheiro, e em ambos os casos se o animal não responde aos estímulos, pressupõe lesão nesse local.

II par Óptico: Em um ambiente calmo, pega um pedaço de algodão ou qualquer outro material que demore cair no ar e solte na frente dos olhos desse animal. Se a visão estiver preservada o animal normal irá seguir o algodão caindo com os olhos e a cabeça. outro teste importante é deixar o animal caminhar no consultório para verificar sua capacidade de desviar dos obstáculos do ambiente, quando intacto esse sentido o animal caminhar normalmente. Realizar o teste de ameaça com as mãos avalia o reflexo desse paciente. Se estiver preservado ele fechará as pálpebras e o médico irá avaliar também a capacidade o nervo facial estar intacto.
 Avaliar o animal em um ambiente escuro com um feixe de luz direto nos olhos que na presença de luz a pupila sofre miose e na ausência sofre midríase.

III, IV e VI pares Oculomotor, Troclear e Abducente: Esses pares de nervos são responsáveis pela inervação e manter a posição normal do globo ocular. 
Oculomotor: Lesão nesse nervo o animal vai apresentar estrabismo ventrolateral.
Troclear: Lesão nesse nervo o animal vai apresentar estrabismo dorsomedial.
Abducente: Lesão nesse nervo o animal vai apresentar estrabismo medial.
Para avaliar esses nervos coloca-se a cabeça do animal em posição anatômica normal e move a cabeça para cima e para baixo, e para dos dois lados observando os movimentos do globo ocular.

V par Trigêmeo: esse nervo tem ação sensitiva e age em conjunto com a parte motora do nervo facial. Para avaliar estimula o interior do pavilhão auricular, canto medial do olho, lábios, e outros locais da face com uma agulha. O animal com esse nervo preservado irá movimentar e responder ao estímulo, movimentando a cabeça ou vocalizando. Caso isso não ocorra o nervo afetado é o trigêmeo, pois significa que o estímulo não chegou no cérebro. é necessário observar também a simetria da musculatura da face uma vez que lesão no nervo facial promove uma alteração nessa simetria no lado afetado, no entanto, quando estimulado o animal sente o estímulo.

VII par Facial: Esse par é responsável por promover a função motora dos músculos v da expressão facial. portanto deve-se observar todos os aspectos faciais desse animal bem como a simetria facial, reflexo palpebral e testar junto com o nervo trigêmeo. As alterações que podem ser observadas são orelhas mais baixa que a outra, nariz paralisado, sialorréia pelo lado afetado, mucosas do lado afetado pode tornar-se ressecadas, incapacidade de fechar as pálpebras, pode desenvolver uma ceratoconjuntivite seca pela diminuição na produção de lagrimas.

VIII par Vestibulococlear: Nervos responsáveis pela audição aprumos vestibular. Responsável pela audição e pelo aprumo vestibular os testes desse tipo de nervo consiste na observação da postura da cabeça, locomoção. o animal que apresenta o nervo afetado apresenta surdez, inclinação da cabeça para o lado da lesão e nistagmo espontâneo.

IX par Glossofaríngeo: Responsáveis pelo paladar e deglutição  está intimamente envolvida o processo do disparo do vômito, é testado quando estimulamos a deglutição pressionando com os dedos a faringe.

X par Vago: Testado junto com o glossofaríngeo, disfunções nesse nervo pode levar a vocalização alterada, perda do reflexo do vômito e disfagias.

XI par Acessório: difícil de ser avaliado, mas como atua na inervação de musculatura do pescoço alterações nesse nervo leva a uma atrofia da musculatura do pescoço.

XII par Hipoglosso: Está relacionado com a função motora da língua, para testar esse nervo estimula o animal a lamber a ponta do focinho e também os lábios.



terça-feira, 17 de maio de 2016

DIARREIAS EM CÃES E GATOS

A diarreia em pequenos animais pode ocor pela ingestão de substâncias osmoticamente ativas ou seja que atraem líquidos do meio intersticial para o lúmen intestinal por deficiência na absorção das substâncias e pela secreção de substâncias através da mucosa ou pela inadequada motilidade intestinal. 
A diarreia é inespecífica podendo ocorrer infecções bacterianas, micóticas, parasitoses, viroses, ingestão de drogas (efeitos colaterais) intoxicações, efeitos de intolerância alimentar ou doenças endócrinas.
A diarreia pode ser aguda ou crônica, a diferença está no seu tempo de duração e severidade. 
A diarreia aguda pode ser provocada pela ingestão de agentes tóxicos e por parasitos durando cerca de 1 a três semanas e geralmente sendo autolimitante sem deixar sequelas.
A diarreia aguda geralmente consegue ser tratada sintomaticamente com restrições na dietas fluidoterapia e antimicrobianos.

Diarreia de Intestino Delgado

O animal apresenta baixa frequência de defecação, porém em grandes volumes e mais aquosa. Nesse tipo de diarreia pode haver melena (sangue digerido) e esteatorreia (gordura nas fezes) na maioria dos casos ocorre uma perda de peso, isso está atribuído pela não absorção dos nutrientes por essa porção do intestino, uma vez que o intestino delgado é ao local de degradação dos aminoácidos, pela mistura aos ácidos biliares a gordura e sua absorção. Qualquer distúrbio do trato gastrintestinal pode levar o animal a apresentar vômitos. Pode ainda ter borborignos e flatulência .

Diarreia de Intestino Grosso

O animal evacua várias vezes em volumes menores de fezes. pode haver tenesmo, disquezia (dor), hematoquezia (presença de sangue vivo nas fezes). As fezes pode apresentar-se coberta por mucosas e exsudatos.

Classificação:

Diarreia osmótica

Absorção prejudicada e que acumula solutos não absorvidos no lúmen intestinal. Esses solutos são osmoticamente ativos e retêm água causando distensão sendo expelida em forma de diarreias liquidas e volumosas. Hidratos de carbono pouco absorvíveis e laxativos são exemplos de substâncias osmoticamente ativas. Clinicamente a diarreia osmótica é mais frequente por causa da da insuficiência pancreática exócrina ou distúrbios inflamatórios difusos, neoplasias e perda das vilosidades que não permite a absorção. 

Diarreia secretória

Ocorre desequilíbrio dos processos normais de transporte de líquidos intestinais dependente da permeabilidade da mucosa. Nesse caso é observado um problema na aborção de água e íons pelos enterócitos e secreção ativa de íons e água para o lúmen intestinal. Geralmente ocorre por vírus e bactérias que produzem exotoxinas ou lipopolissacarídeos que alteram a funcionalidade da bomba de NaCl-ATPase. 

Diarreia por Permeabilidade - Exudativa

 Esse tipo de diarreia ocorre quando ha uma aumento na permeabilidade da mucosa intestinal causada por algum tipo de lesão que permite a passagem e o extravasamento de líquidos, proteínas plasmáticas, sangue, muco de locais de inflamações, ulceração. Qualquer fator que altere a dinâmica dos líquidos intersticiais da mucosa e alterar a pressão hidrostática tecidual pode provocar a diarreia exudativa. 
Esse tipo de diarreia pode ocorrer por uma pressão elevada portal, obstrução de  ductos linfáticos, pressão oncótica diminuída e expansão do volume extracelular.

Diarreia causada por Motilidade desordenada

Pode ocorrer por peristaltismo reduzido que provoca estase e crescimento bacteriano intenso no Intestino delgado. Hipermotilidade acelera o transido a tal grau que o tempo de contato do bolo fecal com a mucosa é insuficiente para ocorrer a absorção e digestão dos compostos, levando uma diarreia, que deve ser diferenciada da diarreia osmótica, são semelhante entre si, a unica diferença está no aumento da motilidade intestinal.
O esvaziamento prematuro do cólon associado a inflamação e irritação. Afetada por cirurgias  abdominais, hormônios SNA enterotoxinas.